O desafio diário de conciliar carreira e maternidade

Foto: Acervo pessoal

Engana-se quem pensa/diz que sucesso profissional e maternidade não podem caminhar juntos. Cada vez mais é possível encontrar mulheres que “associam muito bem esses dois mundos”, apesar, é claro, dos desafios diários. 

Daniela Ranali Giani, 35 anos, engenheira agrônoma de formação e, hoje, gerente de vendas, é um bom exemplo disso. Ela é mãe da Ana, de 7 anos, e do Vito, de 2 anos, e hoje trabalha como gerente de vendas na Avon Cosméticos.

“Trabalhei oito anos na área de agronomia e, quando virei mãe, minha vida se transformou... Quando minha filha completou um ano, voltei para o mercado, mas mudei completamente de área, desde então estou na Avon, onde me encontrei profissionalmente”, diz.

Para Daniela, conciliar carreira e maternidade é mesmo um desafio diário. “Porque, a partir do momento que a gente se torna mãe, carrega quase uma ‘culpa’ quando está longe dos filhos... Então, se eu estou trabalhando, me sinto ‘sem um pedaço’... E quando estou com eles, também sinto uma certa ‘culpa’ por não estar me dedicando tanto quanto eu gostaria ao meu trabalho. Mas, hoje, eu acredito que consegui esse meio termo, esse equilíbrio que eu sempre busco”, conta.

A psicóloga e neuropsicóloga Alessandra Netti comenta que conciliar carreira e maternidade sempre foi e continua sendo difícil. “Percebo que a maioria das mães continua sofrendo com suas angústias, dúvidas e medo de perder espaço no mercado de trabalho. Mas, ser mãe é uma ‘carreira’ muito importante na vida dos nossos filhos. Na formação da personalidade e do caráter”, diz. “Aceitar diminuir a carga horária é um bom caminho a ser trilhado, se for possível. Existem mães que não têm outra saída e precisam trabalhar o dia todo ou até aquelas que optam por isso. Mas, se for possível, parar por alguns anos ou diminuir as horas de jornada é um bom investimento a longo prazo, para mães e filhos”, opina.


Divisão de responsabilidades 


Daniela e o marido dividem as tarefas diárias o que, de acordo com ela, torna muito mais possível conciliar trabalho com o fato de ser mãe. “Ele é um grande parceiro, um grande pai, muito presente, divide as tarefas comigo, enfim, uma pessoa que entendeu a verdadeira função de um pai – que não é só brincar, levar dinheiro pra casa, mas, sim, participar”, diz.

“Isso permite que eu tenha minha carreira, que eu possa investir na minha vida profissional. Eu trabalho hoje em uma região distante da minha casa, então eu viajo, durmo algumas noites por semana fora, o que é uma grande dificuldade, pois eu sinto muito por ter que ficar longe dos meus filhos”, comenta Daniela.

“Então, a minha opção é dirigir mais na maioria das vezes, para poder estar praticamente todas as noites com eles em casa... É um grande desafio, pois eu perco bastante tempo em deslocamento, mas vale a pena para que eu possa estar com eles. Algumas vezes não é possível, aí eu durmo fora dois dias da semana, mas sempre intercalando, quando possível... Não durmo mais de um dia fora seguido, pra eles não sentirem muito”, acrescenta.


Como “compensar” o tempo longe


Daniela comenta que, quando está com os filhos, está por inteira! “É aquele desafio de deixar o telefone de lado, de esquecer dos problemas e realmente me dedicar aos meus filhos... Então, fim de semana pra mim é lei estar com eles... Todas nossas atividades são feitas em família...Por exemplo, se a gente vai viajar, vai viajar todo mundo junto; se a gente vai ficar em casa, vamos criar atividades em casa; isso tudo é muito importante para que eles se sintam seguros”, destaca.



Foto:Acervo pessoal


Rotina

Daniela acredita que a criança precise de rotina. “A gente luta muito para manter a rotina, para eles saberem o que vai acontecer naquele dia, saberem que a mãe sai pra viajar, mas volta no dia seguinte etc. Quando a gente não consegue manter essa rotina, a gente deixa a criança insegura, com isso aparecem as birras, o choro, enfim, tudo fica mais difícil”, diz.

“Meu marido, assim como eu, também trabalha, então, a gente chega à noite em casa os quatro cansados, e tem uma segunda jornada: dar janta, fazer lição com as crianças, tem a hora certa de dormir dentro da nossa rotina... E isso tudo é bastante difícil de se conseguir fazer com calma, com tranquilidade, mas é o que as crianças precisam... Isso é uma busca constante para nós”, acrescenta Daniela.

A mãe confessa que tem hora que pensa em “largar tudo e estar somente com eles”. “Mas sei que isso não me completaria, eu não seria uma mulher completa, porque eu também sou muito realizada com a minha carreira. Então eu tenho que conseguir conciliar, e essa é a luta diária”, diz.

“Acredito, sobretudo, que o importante não é a quantidade de tempo de estar com os filhos; mas, sim, a qualidade do tempo que você está com eles! E eu sempre procuro estar lá com eles por inteiro, na hora de colocar pra dormir, de dar a janta... Quando é possível, acordar, tomar café da manhã junto... Nos dias em que trabalho em casa, tento levá-los na escola; deixá-los na sala de aula, conversar com a professora... Porque isso tudo é muito importante”, acrescenta Daniela.


O que mudou?


Daniela comenta que mudou tudo desde que teve sua primeira filha. “Minhas vontades, meus sonhos, meus objetivos mudaram... Exatamente por isso, naquele momento, eu percebi que precisava viver muito intensamente aquele momento. Então optei por pedir demissão do meu emprego anterior, que era ótimo, com grande possibilidade de carreira e crescimento profissional, mas naquele momento não tive dúvida de que precisava viver por inteiro a maternidade”, diz.

“Então, fiquei o primeiro ano com minha filha em casa, cuidando dela, me dedicando a isso, ‘aprendendo a ser mãe’, conhecendo minha filha... E isso foi muito importante para o meu amadurecimento. Foi importante para eu me sentir segura e voltar pro mercado de trabalho”, diz.

“Mesmo com todos os desafios, tudo que a gente deixa de ser depois que vira mãe, nem um segundo a gente pensa em voltar atrás, se arrepende... Porque realmente a gente se transforma; e os filhos se tornam a coisa mais importante que a gente tem na vida”, destaca Daniela. “A gente olha o mundo de uma maneira diferente, se torna uma pessoa melhor, passa a querer a ajudar mais, ver as coisas certas, porque a gente tem essa responsabilidade de passar pros nossos filhos o que a gente acredita ser o melhor”, finaliza.



Olhar profissional


A psicóloga Alessandra comenta que, hoje, os dois aspectos (trabalho e maternidade) são importantes na vida da mulher. “A maioria quer filhos e independência financeira. E, por exemplo, ter que ir trabalhar e deixar o bebê doente é muito frustrante enquanto mãe... Sempre existe o sentimento de culpa por ter que ir e deixá-los”, diz. Por isso, conciliar esses dois lados, de fato, é um desafio. 

“Assumir a maternidade exige maturidade, e isso acontece naturalmente com a vinda dos filhos. A meu ver, o trabalho é muito importante, mas na hora certa. Tenha filhos, curta-os, trabalhe menos! Se a vida te presenteou com a maternidade é porque você merece vivenciá-la”, diz Alessandra.

Para conciliar maternidade e carreira de forma saudável e “leve”, Alessandra aconselha as mulheres a se culparem menos. “Cada caso é uma história que precisa ser analisada, e avaliado o contexto que essa mãe está vivendo. Se você pode estar mais com os filhos, fique! Se não puder, faça dos momentos que estiverem juntos uma história de amor e compreensão”, destaca.

“Não mime demais por estar se sentindo ‘culpada’ por ter trabalhado o dia todo; não esqueça que educar exige ‘NÃOs’ necessários. Quando estiver trabalhando, seja profissional, e quando chegar em casa, seja apenas MÃE! Seus filhos esperam apenas isso”, finaliza a psicóloga.

E você, como concilia carreira e maternidade? Quais são suas dicas para as outras mães/profissionais?