A importância de estimular o amor entre irmãos

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É comum e esperado que irmãos tenham uma ótima convivência e, simplesmente, se amem, independentemente da diferença de idade entre eles e outras particularidades! Mas, isso não deixa de lado a missão dos pais nesta jornada de estimular o amor entre dois ou mais filhos.

Fabiana Piacentini, psicóloga formada pela Unimep (2001) e pós-graduada pela Unifesp (2006), comenta que a boa relação entre irmãos pode favorecer em diversas outras relações. “Amor, carinho, afeto, respeito e até mesmo saber e poder compartilhar com o outro, dividir, esperar... Enfim, são sentimentos e comportamentos que podem ser aprendidos, desenvolvidos e reforçados com o tempo”, diz.

“Sendo assim, na relação inicial entre irmãos, podemos incentivar e ‘exercitar’ essa importância. Se os pais tiverem essa visão e puderem ensinar e proporcionar essa relação, possivelmente estarão auxiliando na ‘construção’ de adolescentes e adultos mais compreensivos, que respeitam e se colocam mais vezes no lugar do outro, interagindo melhor, convivendo, respeitando e, com certeza podendo ser melhores seres humanos”, destaca a psicóloga. 

Mas, na prática, como os pais podem/devem incentivar a boa relação entre irmãos – para que sejam parceiros desde pequenos, passando pela vida adolescente até a vida adulta?

“Através do convívio e interação com os filhos nas atividades do dia a dia. Por exemplo: propor que ‘cada dia um filho faça uma tarefa do lar’, complacente com a idade de cada um, para que todos colaborem com a harmonia, organização e limpeza. Nas brincadeiras, apostando em jogos e brinquedos que permitam interação de um com o outro, em que uns torçam pelos outros, não usando somente de jogos competitivos”, explica Fabiana.

O que NÃO fazer

Em contrapartida, é muito importante que se os pais se atentem a alguns pontos para que – ainda que sem querer – não estimulem a rivalidade entre irmãos.

“Tenho orientado aos pais (que me procuram sobre os desafios e problemáticas com os filhos) que tentem não usar de comparações. Muitas vezes, os pais, principalmente de filhos com idades diferentes, tendem a comparar ações consideradas ‘corretas’ de um filho com as ‘erradas’ de outro (esquecendo até mesmo a diferença de idade dos filhos). No entanto, isso pode prejudicar a relação e até causar certa ‘rivalidade’ entre eles”, comenta Fabiana.

De acordo com a psicóloga, conversar, orientar e ensinar ainda são as melhores opções, mostrando onde estão os erros e até mesmo mostrando outras alternativas para que o filho realmente aprenda.

“Costumo enfatizar os ELOGIOS. Refiro que estamos rodeados de ‘críticos’ que, principalmente para as crianças, são ‘anuladores’ de novas tentativas. Então, a orientação é elogiar mais, pois motivar faz com que a criança queira aprender e melhorar... Só criticar muitas vezes faz ela até mesmo desistir”, destaca Fabiana. 

“Vale ressaltar que os pais e familiares devem estimular o carinho, o afeto e o respeito entre eles próprios porque, na maioria das vezes, através dos exemplos, as crianças repetem o que veem, o que convivem, e não somente o que é dito”, ressalta a psicóloga.

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Irmãos gêmeos

Muitas vezes, irmãos gêmeos sofrem ainda mais com comparações. Como evitar essa situação?

Fabiana destaca a importância de respeitar as diferenças. “Os irmãos gêmeos tendem a serem vistos como ‘iguais’. Fisicamente podem até ser ‘idênticos’, mas, com certeza, não são em comportamentos, sentimentos, afinidades, capacidades intelectuais e cognitivas etc.”, diz. 

Então, é essencial que os pais lembrem-se diariamente disso e consigam transmitir esse fato aos filhos ainda pequenos. Para que, naturalmente, eles cresçam sabendo que podem ser parecidos fisicamente e até em algumas atitudes, mas são pessoas diferentes, que têm seus próprios gostos, atitudes etc. E que isso deverá ser sempre respeitado por todos!

Afinidades

E se os pais tiverem “maior afinidade” com determinado filho? Isso é saudável ou pode gerar problemas no relacionamento entre irmãos?

Fabiana lembra que as diferenças devem ser observadas, identificadas e respeitadas. “Essa compreensão facilita a relação entre os pais e filhos, não colocando em pauta o amor. No início, cabe aos pais ir ‘apresentando o mundo’ aos filhos, para, depois, ir descobrindo as afinidades e interesses deles. É natural que existam essas diferenças, então pode haver preferências entre pais e filhos e entre irmãos, não deixando de amar uns aos outros por isso”, explica.

Filho único

Se o relacionamento entre irmãos é tão importante, pode surgir a dúvida: e no caso de filho único, a falta de um irmão pode ser negativa?

Fabiana destaca que não se pode considerar negativa a situação de filho único, mas, sim, diferente. “Porque caberá aos pais propor e favorecer a interação com outras crianças, primos, amigos etc. Enfim, e que tenham discernimento também para ensinar sobre as diferenças, a importância de saber dividir, compartilhar, esperar etc... Ou seja, atividades que uma família com dois ou mais filhos praticam com mais intensidade”, explica.

Mas, com o olhar atento dos pais e, claro, muito amor, não faltarão oportunidades para o filho único vivenciar e aprender o melhor dos relacionamentos!

Dicas Mundo Mãe

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Em resumo, algumas ideias práticas para incentivar (ainda mais) o amor entre irmãos são:

- Respeite, em primeiro lugar, o jeito de cada um. Valorize as diferenças, mas sem fazer comparações entre eles. Quando for elogiar ou criticar, faça isso sem usar o outro filho como parâmetro. 

- Nunca “fale mal” de um para o outro. Evite também pedir que “um filho olhe o outro”, e nunca estimule que um “dedure” o outro.

- Estimule a cooperação em vez da competição: proponha que um ajude o outro na lição, tenha em mente sempre atividades que não sejam competitivas etc.

- Crie situações de interação entre toda a família. Que tal um piquenique ou um passeio de bicicleta no domingo? Que tal prepararem um bolo todos juntos na cozinha? Etc.

- Dê o exemplo. Lembre-se sempre que os pais são exemplos para os filhos. Ou seja, eles vão se basear na sua relação com o seu parceiro e, também, na interação que você tem com cada filho e com as pessoas de uma forma geral. 

Por fim, basta observar que: demonstrar amor e carinho é sempre o melhor caminho para estimular a cumplicidade e criar um ambiente seguro para a interação entre irmãos.