As diferenças entre mãe e filha em relação à vaidade

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Trazemos hoje ao blog um tema pouco comentado, mas bastante presente na vida de algumas mães que têm meninas: as diferenças existentes entre mãe e filha no que diz respeito à vaidade.

Uma mãe “supertranquila” e “desapegada” aos cuidados relacionados com sua beleza que tem uma filha que desde pequena se mostra muito vaidosa... Ou, então, o contrário. Você conhece algum caso assim, ou já parou para refletir sobre o assunto?

Você, enquanto mãe de menina, considera-se parecida com sua filha neste quesito? Acredita que vocês tenham os mesmos gostos ou que sejam completamente diferentes?

E você (que ainda não tem uma menina), se tivesse uma filha, como acredita que ela seria no que diz respeito à vaidade? Muito ou pouco vaidosa? Totalmente diferente ou parecida com você neste sentido? 

Melissa Duran Senicato, psicóloga clínica, explica que as mães sempre projetam nas filhas um ideal do que imaginam ser o melhor para elas, e isso é bom até certo ponto, mas exige certo cuidado. 

Afinal, até que ponto é saudável desejar que a filha “seja de uma maneira” ou “de outra”?! A partir de que momento é interessante olhar com a atenção para a vaidade da filha (ou para a falta dela)? Abaixo, a psicóloga esclarece essas e outras dúvidas!

1 - Em alguns casos, a mãe demonstra grandes cuidados em relação à sua saúde e forma física, mas, em contrapartida, a filha (enquanto criança) não demonstra interesse neste sentido, por exemplo, comendo bastante, estando acima do peso etc. Como a mãe deve lidar com este caso? Até que ponto é saudável ela orientar e incentivar a filha em relação à alimentação saudável e à “boa forma”?

Melissa: As mães sempre projetam nas filhas e filhos o que elas desejam ter, um ideal do que imaginam ser o melhor para os filhos, e isso é bom e necessário até certo ponto, mas exige também da mãe, em algum momento, abrir mão dessa idealização e se permitir ver a filha como ela é, com seus gostos, seu jeito. 

É importante a mãe proporcionar uma alimentação saudável, apresentando e também se alimentando com bons alimentos, incentivando a criança a praticar alguma atividade, por exemplo, ajudando a criança a encontrar algo que ela goste, convidando para atividades em movimento, mas vai precisar aceitar que a filha tem o tempo dela, e a própria personalidade. Não significa que será sempre assim.

2 - Como a mãe que, por exemplo, sempre teve problemas em “se manter no peso ideal”, em cuidar da saúde através da alimentação, pode orientar a filha em relação à alimentação saudável? 

Melissa: O importante é a mãe cuidar da alimentação da filha, incentivar e proporcionar atividades de movimento, mas não enfatizar a questão do peso como algo negativo. Enfatizar, sim, as qualidades que ela vê na filha, porque a menina precisa desse olhar amoroso da mãe para se desenvolver.

Além disso, a alimentação está muito relacionada com as questões emocionais. Muitas vezes o alimento entra como uma tentativa de preencher algum vazio psíquico, mas que não fica preenchido. Comer além do necessário pode estar relacionado com ansiedades, com a busca do amor da mãe, com outros aspectos que podem demandar de um cuidado mais específico como a terapia, por exemplo.

3 - Há casos de mães que são bastante vaidosas e, em contrapartida, têm filhas que não demonstram esse “cuidado com a beleza” (enquanto crianças). Como as mães devem lidar com isso? É “normal” que elas esperem que as filhas “cuidem da beleza” como elas fazem?

Melissa: As mães podem incentivar a feminilidade das filhas, por exemplo, arrumando o cabelo dela, convidando para fazerem a unha (as duas juntas), enfim, se colocando como um modelo para a filha, mas entendendo que a filha terá o próprio jeito de viver essa vaidade, e que isso pode variar de acordo com o crescimento também. Na infância, é natural que a criança tenha outros interesses além da beleza, que despertam mais sua atenção.

4 - Há ainda casos contrários, em que as mães reconhecem que nunca foram mulheres vaidosas, mas, hoje, têm filhas que, desde cedo, já demonstram grande interesse em “cuidar da beleza”: por exemplo, gostando de ter roupas, acessórios e sapatos variados, gostando de fazer diferentes penteados e se maquiando etc. Como as mães devem lidar com isso? Até que ponto é necessário “respeitar as vontades” da criança e a partir de que momento é necessário orientá-la sobre “os riscos do excesso de vaidade”?

Melissa: A questão da vaidade pode ser apenas a personalidade da filha, que é diferente mesmo de uma pessoa para outra. As mães podem compreender e reconhecer a individualidade, mas ajudar nos limites do que é permitido para a idade, e ficar atenta para observar se isso reflete outras questões, como um consumismo exagerado, por exemplo, ou dificuldades de relacionamento. 

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O Blog Mundo Mãe agradece a Melissa pelo bate-papo e orientações! 

E você, quais dúvidas tem em relação aos cuidados com seus filhos? Compartilhe conosco!