Repensar antes de gritar



Manter o autocontrole é um desafio diário em nossas vidas. O trabalho, a correria e uma série de acontecimentos “nos tiram do eixo” e, muitas vezes, acabamos descontando esse acúmulo de estresse nas pessoas que estão ao nosso redor, inclusive nos nossos filhos. Perdemos o controle e acabamos gritando com eles. Quem nunca?!

E gritar, definitivamente, não é a melhor maneira de pedir algo para uma criança ou para quem quer que seja! Então, hoje eu resolvi dividir com vocês algumas de minhas experiências e opiniões, e contar como tento conversar com meus filhos e, sobretudo, dosar meus problemas para “não descontar”, injustamente, nos pequenos. 

Quando gritamos, a criança nos obedece e, imediatamente, faz o que estamos pedindo. O que eles estão aprendendo quando fazem algo impulsionados por um grito? Nada. Isso mesmo, quando gritamos não estamos ensinando... As crianças não conseguem captar o que desejamos que elas façam ou aprendam. O grito serve apenas para assustar!

Geralmente, quando pedimos para a criança fazer algo – como tomar banho, almoçar, escovar os dentes, jantar ou arrumar seus brinquedos –, e ela não obedece, acabamos gritando... Pensando que, dessa forma, a criança entende que estamos bravos e faz o que pedimos, mas não é bem assim... 

Quando a criança se assusta com nossos gritos, provavelmente faz mesmo o que estamos pedindo, mas não entende o porquê da situação. Essa atitude vai se tornando cada vez mais comum e a criança vai se acostumando a essa forma de cobrança e começa a “funcionar” somente quando gritamos. Não consegue compreender que, na verdade, aquelas são atividades que devem ser executadas rotineiramente (sem estresse!), e cria uma dependência da nossa atitude: enquanto não gritamos, ela não faz o que pedimos. 

Por isso, é muito importante reparar no modo em que nos comunicamos com nossos filhos. E, claro, esse é um desafio diário! 

Às vezes, estamos em outro lugar da casa e gritamos para a criança que está longe... Essa criança provavelmente estará entretida com alguma coisa, seja com a televisão, seja com o videogame, seja com alguma outra brincadeira etc., e não irá nos ouvir. Aí, a tendência é que a gente grite mais e mais, sem perceber que ela não está nos ouvindo!

Parece banal, mas trata-se de algo importante, afinal, é parte da nossa comunicação diária com nossos filhos (que estão em pleno processo de aprendizagem).

Acredito que seja muito importante essa preocupação de estarmos sempre juntos de nossos filhos, de chegar perto, de falar ao lado deles: “agora vamos parar um pouco, porque é hora de tomar banho”, “agora precisamos almoçar” etc. Enfim, fazer com que a criança entenda o que estamos pedindo, explicar porque ela tem que fazer certas coisas em determinadas horas! Quando estamos próximos, conseguimos nos comunicar melhor, com calma e evitamos o desgaste e o distanciamento que o grito provoca.

Se é fácil colocar isso em prática?! Com certeza, não!

Em muitos dias estamos mesmo “sem muita paciência”, “com a cabeça cheia”... Mas, minha dica, e o que tento colocar em prática em casa, é: nesses momentos, vamos tentar ser sinceras com nossas crianças, conversar, afinal, não há mal nenhum em falar a verdade! “Filho, hoje a mamãe está cansada”, “agora não estou legal, vamos conversar depois”, “hoje eu não quero gritar com você, podemos fazer diferente” etc. Mostrar para a criança o que está acontecendo, contar sobre o momento que estamos passando, é a melhor forma de fazer com que a criança entenda e colabore, porque elas nos amam e nos respeitam!

Prestar atenção em como estamos passando a mensagem é nosso desafio. Se um dia gritamos porque estamos estressados; no outro, nos sentimos culpados e tentamos corrigir; em seguida, gritamos porque nos estressamos de novo etc. Essas variações criam uma confusão na cabeça da criança! Por isso, é importante estarmos atentos! 

Foto: Reprodução

Experimente estar mais perto de seus filhos, e respirar fundo antes de “extrapolar nas atitudes”! Procure suspender o grito! Com certeza este é um desafio diário para todos nós, adultos, mas que, com certeza, traz ótimos frutos nas nossas relações familiares!