Separação: como tornar o processo menos doloroso para a criança

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Separação é sempre um assunto muito delicado... E, por ser algo pessoal e doloroso, às vezes temos receio de conversar e acabamos evitando o assunto. Presenciei alguns casais que viveram este momento e não sabiam como lidar em relação aos filhos. Então, gostaria de compartilhar com vocês meu ponto de vista...

Claro que não sou uma “especialista” no assunto e, também, não existe uma “regra” para esse processo acontecer sem ressentimentos, mas, acredito que, compreendendo um pouco de como as coisas acontecem, podemos aliviar as crianças de alguns “pesos” que não cabem a elas.

Quando um casal decide se separar, possivelmente, já carrega uma mágoa ou um ressentimento e, muitas vezes, esse sentimento ruim é transmitido para os filhos.

Os relacionamentos podem não dar certo e o melhor jeito, para evitar mais sofrimentos, é cada um continuar sua vida... Acontece que não devemos confundir: quem está se separando é o casal. O marido e a mulher estão deixando de compartilhar uma vida como casal, mas, a figura pai e mãe não se desfaz com essa separação.

A criança, inevitavelmente, estará no meio de um processo conturbado e viverá essas emoções juntamente com os pais. Não podemos rotular de "maneira certa ou errada de se separar", mas existem, sim, separações que ocorrem “de forma natural”, sem causar problemas na vida da criança. Alguns casais se mantêm amigos após a separação, e isso torna mais fácil a compreensão da criança...

Em outros casos, geralmente quando há mágoa, a convivência fica mais difícil e os pequenos acabam sofrendo toda essa briga e esse “clima ruim” entre o pai e a mãe. 

É compreensível que os pais ainda estejam fragilizados com a situação, mas o pai e a mãe não podem deixar seus papéis “de lado”. A criança precisa dessa presença ao longo de sua vida. E, nessa fase em especial, é importante que ela saiba que seus pais estão ao seu lado e que, em todos os momentos, estarão ali com muito amor, com muito carinho, com muita dedicação, com muita compreensão... Porque é isso que temos que passar aos nossos filhos, independentemente do que escolhemos para nossa vida (enquanto adultos). Eles não podem ser afetados com nossas escolhas!

Quando a criança fica no meio desse processo de separação, ela pode acabar se envolvendo “nessa briga”. Ela percebe o incômodo que causa quando cita um para o outro, por exemplo, e com o tempo pode até começar a evitar tocar no assunto: quando está com o pai, não fala da mãe, para não magoar; e o mesmo acontece quando está com a mãe...

Então, em vez de ela ser cuidada e criada, esse papel acaba se invertendo. A criança se preocupa em não magoar e, na verdade, os adultos que deveriam entender a importância das duas figuras na vida dela!

O amor prevalece

Claro que na prática não é tão simples, mas acredito que os pais precisem entender que o amor pelo filho é o que prevalece, acima de toda e qualquer dificuldade! E esse é o primeiro passo para tornar a separação menos dolorosa.

Se não for possível manter uma amizade (isso, às vezes, leva um tempo), eles devem, pelo menos, manter o respeito um pelo outro. Respeito como pai e mãe de um mesmo filho (ou mais).

Cada pessoa é livre para seguir sua vida e criar novos laços, mas as figuras de pai, mãe e filho existirão para sempre. E isso é ótimo. Hoje vemos tantas famílias se formando com os mais diversos formatos, a mulher, seus filhos, o homem, seus filhos e os filhos dos dois... Enfim, e isso é tão gostoso também, pois nessas relações todas existe amor. E quanto mais gente disposta a dar amor, melhor!

A caminhada é difícil, sim. Mas coloque o amor que você quer dar ao seu filho acima de qualquer desavença. As crianças são totalmente adaptáveis: se necessário, elas vão se acostumar com duas casas; fazer a mochila para, um dia, ficar com um; no outro dia, ficar com outro... 

Sim, a criança vai aprendendo o que está acontecendo e não terá problemas com isso, porque sabe que seus pais estão ali. Não é preciso que os pais estejam juntos (morando juntos) para serem pais.

E, por fim, vale lembrar sempre: os filhos não têm culpa pelos acontecimentos da vida e nem podem pagar por eles... Então, por mais que seja difícil, respeite seu ex-parceiro e entenda que a criança precisa das duas pessoas em sua vida. 

Quando existem amor e respeito, as coisas ficam mais fáceis!

E vocês, o que acham? Já passaram por isso? Quis trazer esse assunto à tona e compartilhar minhas opiniões com vocês, mas sem a pretensão de “estar certa” ou “errada”, afinal, cada caso é único!