Sim, educar sem bater!

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Bater nunca foi atitude preferida de nós, pais. E aí surge a dúvida se devemos ou não usar uma forma mais rígida para repreender quando nossos filhos aprontam alguma coisa, desobedecem ou, simplesmente, ultrapassam nossos limites.

Quando batemos temos que ter em mente o que estamos ensinando com isso. A apreensão de forma violenta gera diferentes aprendizados, muitas vezes negativos, e não percebemos o quanto isso influencia no crescimento da criança. 

Uma das coisas que as crianças aprendem quando batemos é ter medo. A criança costuma ver os pais como “pessoas poderosas”. Então, com o passar do tempo, toda figura representada como “mais forte” provavelmente despertará este medo. Ela terá medo de um colega que tem mais destaque na escola, terá medo de uma pessoa mais velha, e até mesmo quando crescer esse medo se refletirá com chefes e toda figura que representar ser “mais forte”.

O entendimento da criança quando apanha também se dá para a resolução de conflitos. Ao ser repreendida, ela entende que, desta forma, é capaz de resolver seus problema, acha natural que o caminho para resolver qualquer questão seja agressão. Mais tarde, quando chegar a idade escolar e ao longo da vida, ela irá se deparar com várias dificuldades (como nos deparamos) e a agressão será sua maneira de resolver, afinal, foi assim que ela aprendeu que os problemas seriam solucionados.

Outro ensinamento gerado com o tapa é a falta de diálogo. A criança não irá desenvolver a melhor forma de resolver os conflitos, a conversa. Quando apanha, nós excluímos a possibilidade dela entender porque está sendo repreendida, não damos chance pra ela entender o que está acontecendo, assim ela entende que só há um meio de resolver qualquer problema, batendo. 

Para darmos os melhores exemplos, temos que manter o controle da situação. Muitas vezes o dia a dia nos faz perder a paciência facilmente, mas não podemos deixar que isso tome conta dos nossos atos. Quando perdemos o controle, acabamos batendo, a criança para o que está fazendo, imediatamente, e retomamos o controle da situação. Automaticamente, passamos a mensagem que, para ter controle, é preciso bater. 

O susto também acompanha o tapa. Todos nós paramos algo que estamos fazendo quando nos assustamos e isso acontece quando a criança apanha. Ela não aprendeu que “não pode fazer isso ou aquilo”, ela se assustou. Quando a criança desobedece, pra retomar o controle, usamos o tapa e isso acontece cada vez mais. Se não explicarmos, elas nunca irão entender o que estão fazendo de errado. 

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Antigamente, nossos pais ou avós batiam como forma de educação, muitas vezes funcionava porque esses atos, geralmente, aconteciam para reparar algo muito grave, e não corriqueiramente. No mundo de hoje, as crianças estão muito mais espertas e evoluídas, não toleram mais esse tipo de desrespeito e a correção por meio da agressão acaba gerando distanciamento e medo ao invés de educação. 

Sem dúvidas, o melhor a se fazer é conversar. Ensinar o que é respeito, por mais que estejamos nervosos ou bravos, deixar claro o que não é legal, o que não pode, que não é assim, e então mostrar como deve ser feito. Demonstrar amor. 

Dizer sempre a verdade é a melhor maneira de mostrar o que queremos. Algumas vezes estaremos cansados, sim, e também podemos deixar claro “isso não está certo, mas depois iremos conversar”, “não quero conversar nervoso, depois nos entendemos”. Quando os dois se acalmam, fica mais fácil resolver os conflitos. 

Cuidar exige muito de nós. É uma entrega total e devemos estar prontos pra isso!

Pratique sempre o diálogo. Quando deixamos claro nosso amor, a criança vai percebendo que sua atitude não está legal e vai mudando, porque ela não está com medo, ela não está assustada e, sim, cheia de amor. 

O amor, o respeito e o diálogo ensinam muito mais que qualquer tapa!