Castigo: sim ou não?


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Hoje quero falar um pouco sobre a forma com que costumamos “repreender” nossos filhos. A meu ver, analisando algumas atitudes, começamos a perceber que a punição (o castigo) não é tão eficaz para o aprendizado.

Conhecemos bem o castigo, né? Creio que muitas de nós já passamos por ele quando éramos crianças! Mas, e nos dias de hoje, o que essa forma de tentar solucionar um problema representa para nossos filhos? Será que estamos agindo corretamente?

Essas dúvidas serão sempre corriqueiras em nossas vidas, não é mesmo? E, mais uma vez, trago este assunto à tona não como uma especialista no assunto, mas como uma mãe sempre em busca de aprender mais... Enfim, trago a vocês meu ponto de vista!

Castigo

Quando nossos pequenos aprontam alguma coisa, desobedecem ou fazem algo errado, é automático mandarmos para o castigo. Mas, na verdade, o castigo faz com que a criança sinta-se acuada, amedrontada, sem conseguir encontrar uma saída. Quando algo errado acontece, ela até já está (de certa forma) conformada de que virá um castigo. E tudo vai se repetindo. “Fez algo errado? Vai pro castigo”. “Brigou com o coleguinha? Vai pro castigo”, etc. 

Hoje entendo que, ao castigar, nossa atitude já está “cheia de raiva”, estamos exaltados e isso piora muito quando nossos filhos (que já imaginam o castigo) nos questionam: “já posso ir pro castigo?”. Ou seja, a criança não está aprendendo, ela apenas sabe que, ao fazer algo errado, “vai pro castigo”. Elas também ficam com raiva e se chateiam por estarem de castigo e não conseguem entender; pois, na verdade, ninguém parou e explicou para ela como fazer diferente. 

Consequência

Em minha opinião, precisamos começar a adotar o hábito de “aplicar uma consequência” quando as crianças nos desobedecem ou fazem algo errado. Já li muito sobre isso e, hoje, acredito que seja a melhor solução, então, tento colocar em prática no meu dia a dia (embora nem sempre seja fácil!).

Mas vocês podem me perguntar “qual a diferença entre castigo e consequência?”. E a resposta é: com a consequência, a criança vive o resultado de uma atitude errada e aprende que todo ato gera uma consequência (ação e reação). Com a consequência, a criança começa a entender o que está fazendo e a compreender que isso lhe trará uma resposta. 

Sempre há um contexto, que devemos entender para poder explicar o que está acontecendo. Se não, aplicando sempre a mesma consequência, ela vira um castigo. Por isso, antes de tudo, precisamos sentir toda a história e o que ela irá gerar. Ouvir a nós mesmos (enquanto pais) é a melhor forma para tornar esse processo eficaz. 

Por exemplo, se o seu filho bater em algum amiguinho na escola, é hora de explicar: “isso que você fez não é nada legal, então, para refletir, você terá que ficar um pouco sozinha”. Então, com essa atitude simples, estamos explicando: “quem maltrata o amiguinho, fica sozinho, vamos pensar um pouco sobre isso?”. 

É com esse tipo de ação que podemos mostrar também que “se não fez a lição hoje, amanhã terá que brincar menos e fazer as tarefas atrasadas”. Ou seja, mostrar à criança que as atitudes negativas são responsabilidades dela. Haverá uma consequência por fazer ou deixar de fazer algo. Assim, os pequenos começam a mudar o próprio comportamento, evitando que os erros se repitam. 

Aprendizado para todos

Quando optamos por agir assim em relação aos erros dos nossos filhos, as mudanças vão acontecendo de ambos os lados. Nossa atitude muda também. Em vez de raiva, damos uma resposta. Em vez de punir a criança, estamos explicando, mostrando, educando!

E nossos filhos percebem que tudo “gera um resultado”, começam a pensar sobre o que estão fazendo, a sentir, a respeitar o outro... Isso tudo sem ficarem revoltados. 

É interessante observarmos como as atitudes de nossos filhos vão mudando. Conseguimos ver, aos poucos, no que a criança é capaz de se transformar. Obedecer não é tão difícil, a criança tende a fazer o que mandamos... Mas, quando percebemos as atitudes espontâneas, a intenção de fazer diferente, percebemos que estamos no caminho certo! Que estamos educando e, também, crescendo junto com nossos filhos. A partir daí, a convivência e a compreensão ficam cada dia mais fáceis! 

Convido vocês a experimentarem substituir o castigo pela “consequência”. Garanto que não são só os pequenos que irão aprender com isso!