Como evitar o consumismo infantil?

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Hoje quero falar com vocês sobre um tema até “meio polêmico”: sobre como podemos influenciar, mesmo sem perceber, um comportamento consumista em nossos filhos.

Você pode até pensar ser um exagero tratar desse assunto “desde cedo”. Mas acho importante falarmos sobre isso, até para tentarmos “um equilíbrio”. Creio que, às vezes, criamos alguns hábitos que refletem lá na frente. Pensar no futuro das crianças é nossa preocupação constante, então gosto de compartilhar com vocês minhas opiniões e experiências – mas, claro, sempre sem a pretensão de que elas são “verdades absolutas”, pois eu não sou uma especialista no assunto, mas, sim, uma mãe que tenta acertar!

Todos nós temos desejos consumistas, diariamente. Ficamos analisando as vitrines nos passeio ao shopping, navegando em sites de nosso interesse na internet etc... Sempre queremos algo, e o mesmo acontece com nossos filhos. Quando saímos para um passeio, é inevitável que eles se deparem com algo que desperte desejo... Ou vejam algum amiguinho com um brinquedo legal e comecem a nos pedir!

Tudo isso é normal, mas, quando esses pedidos passam a ser constantes; nunca as coisas são suficientes para nossos filhos, por exemplo; um desejo vai “puxando” o outro etc... Aí sim pode estar morando o problema.

Por exemplo, se compramos uma Peppa Pig porque eles pediram, sentirão uma imensa sensação de satisfação e felicidade ao ganhar o presente. Depois de pouco tempo, isso não será mais suficiente, “seria muito mais legal se tivesse também o George”... Aí, essa satisfação acontece novamente e, como a anterior, “passa”. E, assim, vamos atendendo aos desejos e a criança vai ficando “à mercê” deste desejo, querendo cada vez mais e mais. 

Temos que pensar que ouvir um “não” é também importante para o desenvolvimento das crianças. Atendendo sempre, não deixamos que eles desenvolvam a experiência de conviver com um “não”, de terem uma frustração, de saberem que nem tudo que queremos é simples para conseguir. Tudo tem um tempo, e isso não fica claro quando suprimos as necessidades criadas por eles, imediatamente. Eles não aprendem a esperar, a pensar “por que deveriam ganhar aquele presente”. 

Conseguimos perceber essa “inquietude por ter algo novo” quando falamos de objetos caros, mas, talvez, nosso erro esteja até mesmo em alguns hábitos diários. Muitas vezes vamos à padaria e trazemos uma balinha para criança; depois, compramos “um carrinho baratinho” só de imaginar o sorriso que nosso filho dará ao ganhá-lo etc...

Não paramos para pensar, mas isso pode acabar se tornando um hábito; e a criança esperará que isso aconteça, ela começa a associar que “tal hora ou tal dia vai chegar alguma coisa nova”. E a ansiedade neste sentido vai se desenvolvendo cada vez mais!

Muitas vezes, queremos presentear pra “suprir uma ausência”. Temos a vida muito corrida, o trabalho toma conta de grande parte de nosso tempo e, tentando preencher esse “vazio”. compramos uma lembrancinha... Mas, neste contexto, é bom lembrarmos que nada é mais importante do que nossa presença, nossa atenção. Então, a melhor maneira de “sanar essa ausência” é com beijos, enchendo de carinho, correndo junto com eles, brincando, assistindo desenhos juntos, rolando no chão... Enfim, mostrando que, quando estamos com eles, estamos ali, com vontade de brincar, de estar junto! 

Prestar atenção nos nossos atos é o primeiro passo para evitar o desenvolvimento de uma ansiedade, dessa ansiedade associada ao consumismo. Devemos “dar o exemplo”; podemos, sim, “viver bem”, mas sempre dando ênfase às coisas que são de extrema necessidade, e mostrando isso aos nossos filhos... Mostrando a eles que nem sempre aquele desejo é essencial... Que eles podem esperar, por exemplo, até o aniversário, até o Natal ou Dia das Crianças... E, também, devemos deixar claro que toda conquista tem um porquê – que não é apenas querer que as coisas acontecem!