Sintonia entre pai e mãe no processo de educação dos filhos

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Vocês sabem: crianças são “esponjinhas” que absorvem tudo o que falamos ou fazemos (e até sentimos!). Por isso, a importância de pai e mãe terem coerência no que falam e ensinam aos seus filhos! Tema que, hoje, quero compartilhar com vocês e que, claro, para todos nós, pais, é um aprendizado constante!

Pesquisei muito sobre o assunto antes de vir escrever a vocês, pois, como gosto sempre de destacar, não sou nenhuma especialista... Mas compartilho com vocês minhas "descobertas" e impressões.

Sim, pai e mãe têm que estar “na mesma direção” no que diz respeito ao processo de educação dos filhos... Porque, caso contrário, se eles percebem certo “desalinhamento” por parte dos pais, provavelmente usarão isso, como num “jogo”, para conseguirem, junto aos pais, tudo aquilo que quiserem!

Um exemplo: se o pai diz sempre para a criança “obedeça sua mãe”; mas, em vários momentos vai “tirando a autoridade” dela ao contrariar algo que ela diz, a criança tende a observar isso e, num determinado momento, colocar essa questão à tona. “Por que tenho que obedecer a mamãe se você não obedece?”, por exemplo, entre outras colocações mais sutis – mas que também deixam subentendido que os pais não estão em sintonia no processo de educação e acabam deixando, assim, muitas vezes, a criança confusa.

Outro exemplo conhecido:se a mãe diz que a criança não pode fazer tal coisa naquela hora, e o pai, em seguida, diz que “pode, sim”, ela vai sempre levantar a questão: “por que não posso?! Meu pai deixou!”... “Você é chata, meu pai sempre deixa eu fazer tudo que quero”...

Em outros casos ainda: quando o pai “fala bravo” com a criança, e a mãe vem correndo “socorrê-la”, “consolá-la”, ou vice-versa, isso pode acabar criando hábitos muitos negativos... A criança entende que sempre que o pai chamar a atenção dela, é só ela chorar, que a mãe chega e aquela situação/conversa com o pai termina...

Isso tudo tende a transformar-se num verdadeiro “jogo”, que pode inclusive causar muitos desentendimentos entre pai e mãe... Dessa maneira, o casal perde a força na ação educativa, o que só traz prejuízos à família de uma forma geral!

Para evitar essas situações e conseguir conquistar essa “sintonia” tão importante, a meu ver, pai e mãe devem estar sempre atentos e “preparados” para algumas situações cotidianas... Porque quando pai e mãe se unem, a criança recebe uma informação muito mais eficaz (com muito mais coerência) e aprende, de fato, o que tem ou o que não deve fazer!

Algumas dicas simples neste sentido são:

1 – Quando o outro cônjuge estiver “cuidando de uma situação com a criança”, você tem três opções: a primeira é não ir até lá. Ou seja, não se intrometer e deixar que seu parceiro (ou parceira) ensine o que pretende (e precisa) ensinar naquele momento.

2 – A segunda opção é: caso decida ir até lá, chegue e pergunte AO ADULTO o que está acontecendo, mas nunca à criança... Porque, se você chega, “se intromete”, e pergunta diretamente para a criança, o outro adulto em questão acaba “perdendo toda a história, todo o ensinamento” que ele estava tentando construir...

Se nós, mães, por exemplo, damos voz diretamente para a criança – ela provavelmente vai naquele momento “jogar todo seu charme”, toda sua competência verbal para “virar aquela história”, colocando o outro adulto (o pai, no caso) como “vilão”.

E, assim, no meio de um drama, a tendência é que a gente queira “entrar na história” para proteger nosso filho; e, assim, nosso parceiro ficará totalmente “sem lugar”, perderá todo o caminho percorrido até ali e, também, sua autoridade diante daquela situação.

Parece bobagem, mas olha como a situação é diferente: se a gente pergunta diretamente para o nosso parceiro o que está acontecendo, ele vai dizer, por exemplo, “nosso filho não está querendo comer”...

Aí, em sintonia com meu parceiro, eu vou repetir para a criança a mesma orientação: que ela, de fato, precisa comer, e que o pai tem toda razão. Assim, essa criança perceberá que ali existe uma parceria e, sobretudo, uma orientação clara!

3 – Caso seu parceiro esteja ali “cuidando da situação” com a criança e, por acaso, “se descontrolar”, ficar muito nervoso ou sem paciência, e nessa hora você tiver muita vontade “de agir”: ainda assim deve se aproximar e “entrar na situação” em parceria com o outro adulto!

Chegue e “traduza” para a criança o que o pai dela está querendo dizer. Por exemplo: “o papai está muito nervoso, mas o que ela está te pedindo é que você vá tomar banho agora... Porque ele já te falou isso muitas vezes, então olha como ele ficou nervoso...”.

São, de fato, coisas banais, mas que fazem toda a diferença! Quando o casal (pais) se mantém respeitando um a voz do outro para a criança, a chance dessa criança também respeitar a voz de cada adulto (do pai e da mãe) é muito maior!

E, assim, a convivência das crianças com as regras e o aprendizado em si tornam-se muito melhores! E a convivência dos dois adultos dentro de casa, como figuras de autoridades, também se torna muito facilitada, porque um encontra no outro exatamente a parceria que precisa!