Como prepararmos nossos filhos para irem sozinhos a festinhas



Hoje, trago ao blog um assunto que julgo bastante importante. É fato que nós, pais, não estaremos 24 horas grudados com nossos filhos... Especialmente a partir do momento em que eles estiverem maiorzinhos, começarem a ir em festinhas sozinhos etc. 

E são nesses momentos que eles começarão a ter, inevitavelmente, a oportunidade de conversar com pessoas estranhas (entenda-se, pessoas que eles ainda não conhecem). Como devemos orientar, sem causar pânico, que façam isso? Levando em conta que a criança tem uma pureza, mas, infelizmente, nos dias de hoje não dá para confiar em todo mundo.

Convidei a Alessandra Netti, psicóloga e neuropsicóloga, para abordar o assunto, nos dando dicas práticas para lidar com essas situações que são super-reais e que, inevitavelmente, vamos ter que lidar em algum momento.

A personalidade de cada criança

Para Alessandra, o primeiro passo é pensar “quem é nosso filho”. Se é uma criança mais sensível, que vai assustar com o que você vai falar, se é uma criança mais “avoada”... Enfim, cada criança tem seu jeito, então cada pai deve falar com seu filho de acordo com o jeito dele.

Porque, com uma criança que já é mais assustadinha, medrosa, claro, temos que ter mais cautela na hora de falar. “Se a criança é mais medrosa, aliás, acho que vale a pena você reconsiderar que idade essa criança vai poder sair sozinha (por exemplo, num aniversário em um buffet, ou seja, em situações seguras, mas que, ainda assim são uma nova experiência para ela)”, explica.

Mas, de forma geral, não há problemas em deixar a criança ir a uma festinha de aniversário em buffet sozinha, mas, existem, sim, orientações que devem ser passadas, ainda que “de forma leve”.

“Não falar com estranhos”

Alessandra destaca que, nós, pais, temos sempre que alertar: a orientação “não falar com estranhos” é básica. E, neste sentido, a dica é: preparar a criança para as situações em que ela estará sozinha (fisicamente), mas frisando que a mãe estará sempre disponível!

Ou seja, enquanto você estiver com ela, você vai orientar e preparar a criança para situações em que você não estará por perto...

“Porque assim, quando ela estiver sozinha, já terá as principais noções... Porque não adianta você não preparar a criança e querer deixar ela ir num buffet sozinha, por exemplo... Ela não vai saber o que fazer, com quem pode ou não falar, enfim, não vai saber se virar”, comenta Alessandra.

Desenvolvendo a autonomia

E como podemos desenvolver a autonomia dos nossos filhos juntamente com a gente?!

Alessandra exemplifica que, muitas vezes, vamos a uma loja infantil e, lá, as pessoas querem dar um pirulito ou uma bala para as crianças. A partir daí, podemos aproveitar essa oportunidade simples, leve e tranquila, e passar algumas orientações: “olha que gostoso, você ganhou o pirulito... Mas vamos combinar uma coisa?! Qualquer coisa que derem pra você, você pergunta para a mamãe, ok?’”, explica a psicóloga.

E na hora de deixar nossos filhos irem sozinhos a um aniversário...



Alessandra comenta que esse hábito de deixarmos nossos filhos irem sozinhos a uma festinha de aniversário num buffet é, relativamente, uma novidade, pois na nossa geração não era assim.

Para a psicóloga, algumas medidas podem tornar essa situação mais tranquila, tanto para nós, pais, como para a própria criança:

#1 - Podemos ligar para a mãe do(a) aniversariante, nos apresentarmos (se for o caso), e perguntar mais detalhes sobre a festinha, saber se no local terá monitores e, se, de fato, é seguro deixar nossos filhos irem sozinhos. 

“Então, não é simplesmente ‘deixarmos a criança ir’... Conversamos com a mãe, sentimos como será a festa, o que nos dará mais segurança para, então,conseguirmos transmitir essa segurança para nossos filhos”, comenta Alessandra.

#2 - Às vezes, a professora das crianças é convidada para a festinha no buffet. E o que isso significa? Ela tem obrigação de cuidar dos nossos filhos?! Não! Mas, é fato que ela é uma referência positiva para as crianças... Então podemos dizer “olha, qualquer coisa, você fala com a tia/professora Tal”.

#3 - Outra orientação importante é falarmos sobre a ida ao banheiro com nossos filhos. Porque nem sempre eles sabem ir sozinhos... Então podemos dizer: “olha, vamos fazer de conta que você já está lá no buffet... Como você vai fazer para ir ao banheiro? Não se esqueça de lavar as mãozinhas depois” etc.

Como orientar as meninas explicando que elas não são mais tão pequenas...

Especialmente no caso das meninas, é importante dar algumas orientações extras, principalmente nesta fase em que elas já estão maiorzinhas e começam a ir a festinhas em buffets sozinhas.

Isso deve ser feito de forma sutil. Podemos dizer: “olha querida, agora você está crescendo; não é mais um bebezinho que tem que ficar no colo dos monitores... Então, agora você vai brincar com seus amigos, vai nos brinquedos, mas não precisa mais ter um comportamento igual de quando você era pequenininha e ficava no colo dos adultos”, orienta Alessandra.

E quando exageramos?

E o que fazer se nós, pais, na tentativa de preparar a criança, acabamos exagerando, fazendo com que ela ficasse com medo de ir aos lugares sozinha? Alessandra orienta:

#1 - O caminho é ter uma conversa franca com a criança, reconhecendo que exagerou e acabou criando nela um medo maior do que ele deve ser. É bom dizermos: “você sempre foi nos buffets com a mamãe, sempre se divertiu, não é verdade?! Então, não precisa ter tanto medo... Você deve, sim, tentar ir à festinha e se divertir com seus amiguinhos”.

#2 - É interessante ainda, de acordo com a psicóloga, perguntar para a criança do que ela tem medo exatamente. Aí, dependendo da resposta, você esclarece aquela questão, tentando diminuir esse medo. 

#3 - É essencial lembrar a criança que ela estará lá sem você, mas que os adultos da festa têm seu telefone e, a qualquer momento, poderão ligar para você ir buscá-la!

#4 - Se a criança ainda não estiver se sentindo segura, podemos dizer: “Olha, então a mamãe vai ficar aqui fora”... Semelhante ao que fazemos quando a criança vai para a escola. 

#5 - Outra dica é ver, de repente, de levar alguma amiguinha junto com a criança. Assim, ela não vai chegar sozinha, o que, naturalmente, fará com que ela se sinta mais segura.

#6 - Na hora de deixar a criança no buffet, não hesite em entrar e procurar a mãe ou o pai do aniversariante, vendo como é a festa, confirmando que o aniversário é ali mesmo... Porque parece algo inusitado, mas já aconteceu de criança ficar em festa errada. E se isso acontece com uma criança que já está um pouco assustada em sair sozinha, o quadro provavelmente ficará mais complicado!


Conclusão: vamos nos mostrar presentes, mas sem criar pânico!

Algumas dicas básicas, de acordo com a psicóloga, dentro deste contexto, são: 

#1 - Vai fazer uma festa onde vai convidar somente os amiguinhos, sem os pais?! Coloque-se no lugar desses pais... E pense no quanto é importante você estar ali recepcionando as crianças com seus pais que foram levá-las, pelo menos nas primeiras horas da festa. Receba-os e mostre que o ambiente ali é seguro e que, se for necessário, você entrará em contato com eles.

#2 - Frise sempre que você “estará sempre à disposição”, ainda que não perto fisicamente... E que, a qualquer problema,“é só pedir para alguém ligar para a mamãe”. 

#3 - É bom explicar: “filho(a), você estará seguro, porque se isso fosse perigoso, a mamãe não deixaria você ir... Esta é uma experiência nova para você, e acredito que você vá se divertir bastante”.

#4 - Outra medida que pode ajudar é apresentar para a criança a mãe do amiguinho aniversariante. “Olha, esta é a mãe da Laurinha... Então, se você precisar de algo, você avisa ela, que ela vai me ligar, ok?”.

Então, por fim, vale ressaltar: orientar nossos filhos, sempre! Mas com o cuidado de nos exagerarmos na dose e criarmos neles um medo desnecessário. Mostrarmos que estaremos sempre à disposição, ainda que não perto fisicamente, é essencial para que eles se sintam cada vez mais seguros e preparados para lidar com as situações do dia a dia.