O cuidado em não rotular pequenas atitudes



Não há como negar: vivemos em uma sociedade que rotula as pessoas, seja por características físicas, seja por características psicológicas e/ou comportamentais. Exatamente por ser algo aparentemente “tão natural”, dificilmente paramos para pensar no assunto...

Mas, esses dias, pesquisando sobre temas infantis na internet, me deparei com este e vi o quanto ele é amplo e interessante: vale a pena pararmos para refletir sobre quanto os rótulos podem atrapalhar as crianças no seu processo de desenvolvimento.

Hoje, não quero falar sobre os rótulos relacionados a características físicas, mas, sim, comportamentais: “nossa, meu filho é preguiçoso”, “nossa, meu filho é muito tagarela”, “nossa, meu filho é muito agitado”...

Você já parou para pensar nisso?! Talvez esteja se perguntando: qual é o problema em dizer esse tipo de coisa? Pois foi também o que pensei quando me deparei com este tema... Então, convido você a refletir comigo! Pois, pesquisando mais sobre o assunto, compreendi o quanto é importante estarmos atentos a esse ponto!

Somos espelhos, certo?

Vamos lembrar que somos espelhos para nossos filhos... Espelhos a partir do momento em que damos exemplos, mas, também, no sentido de criar valores e transmiti-los de forma direta ou indireta a nossos filhos.

Então, vamos imaginar que estamos, no dia a dia, conversando com outro adulto e, com a criança por perto, dizemos: “nossa, ela é muito agressiva”; “ela é preguiçosa”; “ela é muito tagarela” etc.

Pode parecer algo banal, mas, quando fazemos isso, a criança (que está no processo de formação), vai entender esta como uma verdade absoluta e pensar (ainda que inconscientemente): “mas será que sou isso mesmo? Devo ser, pois se meus pais, os adultos, estão dizendo isso, então deve ter sentido”.

Ou seja, a criança “vai comprar essa ideia”. O que dará início ao ciclo: porque, a partir daí, ela provavelmente começará mesmo a ter novos comportamentos que confirmem e que nos levem novamente a pensar e repetir esses rótulos (preguiçosa, tagarela, agressiva, agitada etc.).

Avaliar os comportamentos em vez de rotular

É interessante lembrarmos que os comportamentos da criança nos contam histórias...

Então, não devemos trazer, a partir do comportamento, um julgamento, um rótulo (“ela é agressiva”, “é preguiçosa” etc.)... Mas devemos tentar entender tal comportamento, pensar se alguma necessidade desta criança não está sendo atendida...

E a melhor maneira de fazer isso, claro, é propiciar um diálogo! Por exemplo: “nossa filha, todos os dias você tem se negado a levantar no horário e/ou fazer suas tarefas. Está acontecendo alguma coisa? Como podemos mudar isso?”.

Neste diálogo aberto, por mais banal que pareça, a criança se sente reconhecida, vista, percebida por nós... E isso faz toda a diferença!

Cuidar das nossas próprias expectativas

Outro cuidado importante dentro deste ciclo relacionado aos rótulos, acredito eu, está em cuidarmos das nossas próprias “expectativas”.

Muitas vezes, o medo pode aparecer num comportamento, a irritação pode aparecer em outro etc. Afinal, a vida é assim! Sentimos um monte de coisa o tempo todo, não é verdade? E não podemos esperar algo muito diferente dos nossos filhos!

Então, vamos supor que a criança tem um desafio para viver... E nós, pais, ficamos pensando/falando: “ai meus Deus, ela vai ficar com medo; não vai dar certo, e agora?!”

Conforme criamos toda essa expectativa, perante algo que ainda nem aconteceu, estamos gerando este reflexo (o que também alimenta um ciclo do que a criança pensa a seu respeito). Provavelmente ela também comece a pensar: “tenho medo de fazer isso, não vou conseguir, não vai dar certo”...

Ou seja, nem sempre é fácil colocar tudo isso em prática, né? Nos policiarmos, controlarmos nossas expectativas, não rotularmos.... Mas, estarmos cientes e atentos a isso, é o primeiro passo! 

Em vez de rotular, vamos abrir caminhos para que a criança se desenvolva de acordo com sua personalidade, com seu próprio dom?! Vamos criar um espaço onde o diálogo seja constante e, antes de julgar um comportamento como “uma verdade absoluta”, questionemos, pensemos em maneiras de resolvê-lo?! Esta é a minha reflexão de hoje!