A influência da mãe na personalidade de seu filho



Já no clima do Dia das Mães, hoje trago ao blog uma abordagem um pouco “diferente” sobre a relação mãe e filho. 

É fato – e não é nenhuma novidade – e que o papel da mãe na vida de um filho é fundamental desde o início da vida uterina. Mas você já parou para refletir que, em cada fase, as mães são as responsáveis pelos sentimentos mais puros que transmitem aos pequenos e que, isso, consequentemente, influencia na personalidade dos filhos na vida adulta?!

Hilda Medeiros, coach e terapeuta, comenta que, desde o momento em que fomos gerados, recebemos impressões, sentimentos e sensações de nossas mães. “Esses registros podem estar repletos do néctar do amor ou da falta dele. Em ambos os casos deixará marcas, como uma impressão digital”, diz.

“Durante a gestação, o bebê recebe todos os estímulos advindos da mãe: sensação de alegria, de amor, confiança, mas também de angústia, tristeza e medo. Todos esses sentimentos e emoções são captados em forma de estímulos que, no futuro, influenciarão o indivíduo. Não é possível ter lembranças das experiências vivenciadas no ventre, porém, pesquisas afirmam que guardamos essas impressões em forma de registros inconscientes, que podem ser positivos ou negativos”, destaca a terapeuta.

Num exemplo positivo: o bebê que se sentiu amado tende a ser uma criança e um adulto confiante e com maior capacidade de se relacionar consigo próprio e com o mundo à sua volta. “Na outra medida, a falta de amor pode resultar em um indivíduo carente e inseguro na vida adulta”, comenta Hilda.

Claro que as outras pessoas – o pai, os avós, os irmãos – também exercem influência na vida do bebê, mas a relação mãe e filho é sem dúvida a mais marcante para o desenvolvimento do indivíduo. “A falta de amor e conexão na infância pode resultar em adultos hostis, antissociais, gananciosos, inseguros e arrogantes. Indivíduos totalmente afastados do senso de cooperação e generosidade”, destaca a terapeuta.

“Estudos comprovam que crianças que se sentiram acolhidas e amadas por seus pais tendem a se tornar adultos cooperativos, autoconfiantes, emocionalmente capazes de transmitir a mesma amorosidade recebida. A autoimagem segura e apropriada que se inicia com o amor materno e paterno influenciarão o indivíduo pelo resto da vida. Essa é a base para os laços futuros com os outros seres humanos, com os outros seres vivos e com o sistema ecológico de modo geral”, ressalta a terapeuta e coach.

Encontrar o equilíbrio 

Para Hilda, encontrar equilíbrio entre “estar à disposição” e “ensinar” é justamente a chave de uma educação amorosa e assertiva. “É fundamental estarmos disponíveis, no entanto, é importante estimular a independência e ajudar a criança a desenvolver suas capacidades de fazer, de agir e aprender a solucionar os pequenos problemas”, diz. 

“Quando as mães fazem tudo por seus filhos, ou quando a proteção é excessiva, acabam, por assim dizer, tornando-os dependentes, e isso limita a criatividade e o desenvolvimento – o que, por fim, afetará a própria confiança do indivíduo”, ressalta a terapeuta e coach.

Mas, enfim, como encontrar o equilíbrio entre o “amar incondicionalmente” e a “necessidade de impor limites”, de “corrigir quando necessário”, de “dizer não”?

Hilda explica que, para lidar com nossos filhos, é fundamental que estejamos, sobretudo, em um estado emocional adequado, ou seja, em harmonia e equilíbrio. “Muitas vezes estamos assoberbados ou cansados pela rotina de trabalho, e não temos a clareza e paciência suficientes para se tomar as melhores decisões de como ensinar o melhor caminho para as crianças. Elas aprendem também por modelagem dos pais, ou seja, se os pais apresentam posturas irritadas ou descompensadas, isso afeta no comportamento das crianças”, diz.

Vale reforçar: amar incondicionalmente também significa impor limites. “Não nascemos sabendo o que se pode e o que não se pode fazer. A criança não sabe onde termina sua liberdade e onde começa a do outro. E isso é aprendido. Nos primeiros anos de vida, a criança desenvolve o senso de ‘eu’. O mundo gira em sua volta. Aprender a dividir, a interagir, a socializar-se de modo integrativo, é uma experiência que se aprende, tanto no convívio com outras crianças com a participação dos professores, como no ensinamento transmitido pelos pais”, finaliza Hilda.

Enfim, a reflexão de hoje, já no clima do Dia das Mães, é esta: vamos amar incondicionalmente nossos filhos, mas vamos lembrar que amar é também ensinar, impor limites, dizer não! É ainda dar exemplo! Afinal, um mundo melhor só será possível com mais amor, né? E tenho certeza de que é isso que todos nós queremos para nossos filhos!