Saiba o que é a fobia alimentar infantil



O processo de introdução alimentar, que começa a partir dos seis meses de idade da criança, é uma fase que permite que os pais comecem a observar a relação que a criança tem com a comida.

É esperado que, com o passar do tempo, a criança comece a ter preferência em relação a determinados tipos de alimento, demonstre aos poucos do que gosta e do que não gosta etc. E tudo isso geralmente é normal.... Mas é, também, momento de avaliar se a recusa por determinados alimentos é totalmente aceitável ou se o caso precisa de ajuda de especialistas por poder estar associada à fobia alimentar infantil.

A nutricionista comportamental Ariane Bomgosto comenta que, desde que entra em contato com os primeiros alimentos, a criança já pode apresentar algum tipo de fobia alimentar. “A fobia alimentar é o medo de experimentar alimentos e tem sido um assunto que assombra a vida de alguns pais”, explica.

Quais são os sinais?

Claro que isso não deve ser motivo de desespero e os pais devem saber que nem toda recusa significa necessariamente “um problema grave”!

Mas, de acordo com a nutricionista, os pais devem ficar atentos aos comportamentos da criança, observando as suas reações frente à comida, e, se for o caso, identificando alguns sinais que podem estar associados à fobia alimentar, como por exemplo:

- ela não querer permanecer à mesa;

- manifestar repúdio ou aversão aos alimentos servidos;

- estar constantemente fugindo dos momentos que envolvem experiências alimentares (através de procura por outras atividades neste momento) etc.

Ariane Bomgosto acrescenta que as reações das crianças com fobia alimentar podem ser diversas: “algumas, quando submetidas ao contato forçado com os alimentos que rejeitam, podem manifestar reações como vômito, perda de controle emocional e até agressão física”, diz.

O que fazer?


Se existir a suspeita, o primeiro passo dos pais é procurar um especialista em comportamento alimentar para que possa auxiliá-los a diagnosticar o problema. "Isso deve ser feito se os pais notarem que o filho está manifestando um comportamento não saudável em relação à comida, o que traz consequências como momentos de angústia na hora das refeições, crianças que não demonstram prazer na hora de comer e que apresentam grande dificuldade em lidar com a forma como se alimentam", diz.

Ariane ressalta que a fobia alimentar pode prejudicar o crescimento à medida em que a criança fica paralisada frente ao ato de ingerir um alimento que não faça parte da sua rotina alimentar. “Assim, passa a ter o cardápio pouco variado, o que pode influenciar no aporte nutricional que necessita nesta fase da vida. Além disso, esta criança costuma ter pouco interesse pelo universo dos alimentos e ser reativa em relação ao assunto, o que a prejudica na capacidade de fazer suas próprias escolhas alimentares ao longo da vida”, diz.

Além disso, esse tipo de fobia pode atrapalhar inclusive no desenvolvimento social da criança, já que, por não conseguir comer certos alimentos, ela pode tender a se isolar e a não participar de eventos que incluam os alimentos que rejeita.

“O caminho é complexo e desafiador, porém, ao pensarmos que uma criança que ganha consciência alimentar tem toda uma vida para desfrutar dos benefícios que esta pode lhe trazer, temos uma motivação para ajudá-la a começar este percurso nesta fase da vida”, finaliza a nutricionista.