Como falar sobre sexo com as crianças?





Falar sobre sexo com nossos filhos é uma dificuldade para nós, pais, né? Não sabemos exatamente em que momento devemos e, muito menos, como fazer isso!

Confesso, aliás, que detesto pensar no momento em que terei que explicar qualquer coisa neste sentido para meus filhos... Porque não sou “de rodeios”, sou muito sincera e reta em tudo, então tenho até medo da explicação que virá à minha cabeça. Mas, até o momento, a Luisa nunca me perguntou nada.

Resolvi pesquisar um pouco sobre o assunto, procurando, inclusive, respostas para minhas dúvidas e é isso que hoje compartilho com vocês! Lembrando, é claro, que este é “um papo de mãe para mãe”, pois não sou uma especialista.

A melhor resposta talvez seja “deixar que as coisas aconteçam naturalmente”. Não temos que determinar uma idade e chamar nosso(a) filho(a) num canto e começar a falar sobre o assunto, mas devemos estar preparados...

“Abordar o tema sexualidade, torna-se cada vez mais importante, já que temos um mundo cada vez mais desvirtuado. As imagens que invadem através da internet, a má e maldosa divulgação e o erotismo exacerbado exigem dos pais mais atenção e preparo. Em todas as etapas do desenvolvimento, a sexualidade é vivenciada para o próprio amadurecimento do indivíduo”, comenta a psicóloga e neuropsicóloga Alessandra Netti.

A partir dos quatro ou cinco anos, a criança inicia a famosa fase dos “por quês”. E nesta fase é importante que a gente forneça as respostas que elas buscam – é claro que usando uma linguagem adequada.

Mas e se a pergunta é relacionada a sexo?! Não existe uma “fórmula de sucesso”, mas é importante que os pais continuem se mostrando disponíveis e não ignorem os questionamentos da criança...

Dessa forma, sem apressar o ritmo da criança, nós podemos, aos poucos, explicar aspectos que possam ajudar na compreensão sobre o nascimento e a gravidez, por exemplo. Mas isso, é claro, não deve ser feito “de forma técnica”... Não existe a necessidade de explicarmos simplesmente “tudo” para ela.

Diferentemente do que muita gente pensa, é bom evitar explicações fantasiosas como, por exemplo, a história da cegonha. Mas a alusão a “uma sementinha que passa do órgão sexual do pai para o da mãe”, por exemplo, pode ser usada.

É interessante ainda falar o nome correto dos membros do corpo humano, se a criança questionar. Afinal, os pensamentos nesta idade são fantasiosos e, quanto mais “mágicos” parecerem os nomes e as histórias contadas, mais interesse a criança terá nisso. Por isso, o importante é tratar tudo da forma mais natural possível.

Em alguma fase, a criança pode começar a tocar e manipular os órgãos genitais, o que naturalmente nós deixará constrangidos.... Mas, neste momento, não é adequado oprimir e proibir o comportamento (o que o estimularia mais ainda!)... Mas, sim, falar com calma e naturalidade que “não é comum as pessoas fazerem isso na frente dos outros”, por exemplo.

Alessandra Netti cita ainda a fala de Hain Grunspun: “é sabido que as sensações sexuais humanas estão presentes precocemente nas várias etapas do desenvolvimento de nossas crianças. A denominação de sexualidade para estas sensações corporais deve ser compreendida, no início da vida dos nossos filhos, desligada da genitalidade”.

“Isso é muito importante, pois muitos pais se assustam ao verem as crianças se tocando, mas para elas isso não tem a mesma conotação que tem para o adulto. Por isso temos sempre que agir com naturalidade e afeto”, destaca Alessandra.

O sexo oposto

Por volta dos 8 anos, a criança passar a ter uma curiosidade maior sobre o sexo oposto. Neste momento os pais podem conversar mais com os filhos sobre a diferença entre homens e a mulheres, as características de meninos e meninas. E, então, essa conversa pode fluir no sentido de indicar que os órgãos masculinos e femininos são usados para gerar os bebês.

Vale destacar que essas identificações construídas ajudam no entendimento das características masculinas e femininas e se entendem até os 11 anos (ou seja, uma fase de preparação para ingressar na pré-adolescência e, portanto, início da puberdade).

O diálogo


Quanto mais chegam perto da adolescência, mais os filhos tendem a terem vergonha de falar sobre o assunto com os pais. E, muitas vezes, os pais acabam então “deixando o assunto pra lá”.

Mas o que devemos fazer é o contrário... É muito importante dar espaço para o pré-adolescente, estimular o diálogo – sem ser invasivo, mas no sentido de passar confiança e segurança.

Como fazer isso?! Cada família encontrará sua maneira, pois não existem regras... O fundamental é lembrarmos que a educação sexual deve partir dos pais, ou seja, é uma responsabilidade nossa.

“Cabe aos pais compreender a sexualidade e não temê-la para que possam orientar e auxiliar amorosamente seus filhos”, finaliza Alessandra.

Não devemos ter este assunto como um tabu. É normal nos sentirmos constrangidos, termos dúvidas de como abordar o tema... Mas o primeiro passo é termos essa consciência de que precisamos falar sobre, abrirmos nossa cabeça e nos informamos da melhor maneira.