Será que sobrecarregamos nosso filho mais velho?

Recentemente fiz um relato no Facebook e Instagram sobre a sensação que tenho de que “sobrecarreguei” a Luisa, pelo fato de ela ser a irmã mais velha, e eu, mesmo que inconscientemente, ter cobrado certa maturidade dela em relação ao irmão. Isso porque, a diferença de idade dela com o irmão é de apenas 2 anos.

Após fazer a postagem, recebi retorno de várias mães que também declararam sentir algo parecido, por isso senti a necessidade de fazer um artigo mais completo sobre o assunto, com a ajuda da psicóloga e neuropsicóloga Alessandra Netti – que é, inclusive, minha parceira aqui no blog e, como profissional, sempre me ajuda a entender da melhor forma meus sentimentos e questionamentos de mãe!

Questionei a ela, sobretudo, como fica a cabeça do irmão mais velho após ouvir tantos comentários como “cuidado, seu irmão é pequeno” etc. Isso o torna, de fato, mais maduro no futuro ou pode gerar algum tipo de frustração?

Confira o artigo da Alessandra Netti abaixo!

Como o filho mais velho costuma lidar com a chegada do irmãozinho e o que podemos fazer

Por Alessandra Netti




É fato que a chegada de um irmãozinho ou irmãzinha traz certo “desassossego” para o filho mais velho. Porque, até então, ele não tinha ninguém “disputando espaço e atenção dos pais” com ele...

E isso costuma ser assustador e, claro, cada criança vai manifestar de uma maneira: algumas ficam declaradamente enciumadas, outras fazem birra, tem as que ficam mais chorosas e algumas ficam mais hiperativas.

Quando meu segundo filho nasceu, minha filha “não parava quieta”, estava agitadíssima. Eu tinha me preparado pensando que ela sentiria ciúmes, mas não foi exatamente assim... Então, quando as pessoas vinham trazer algum presente para o bebê, eu a chamava para abrir e entregar a lembrancinha etc. Enfim, dei toda atenção nesse sentido, mas não estava esperando que ela fosse ficar, na verdade, agitada.

Muitas crianças, nesta fase, apresentam um comportamento regredido, como, por exemplo: passam a fazer xixi na cama, querem voltar a colocar fralda, pedem a mamadeira etc.

E como devemos lidar com isso?! A princípio, com naturalidade... E devemos sempre estimular a proximidade do irmão mais velho com o bebê. Uma dica legal para isso é usar aquelas réguas de altura e brincar: “olha como você está grande! E agora vamos medir seu irmãozinho também” etc.

A partir dos 2 anos, a criança já responde bem a esse tipo de incentivo... Pode ainda ajudar a trocar fralda, a preparar a papinha do bebê etc.

Outra dica essencial é os pais dedicarem um tempo exclusivo para o filho mais velho. Enquanto a mãe estiver naturalmente mais ocupada com o bebê, é legal o pai ou os avós proporem atividades diferentes para o mais velho, levando-o para passear, tomar sorvete, ir ao cinema.

Isso porque, na maioria das vezes, o filho mais velho sente que está perdendo espaço dentro da casa, escuta o tempo todo coisas como “fala baixo porque o bebê está dormindo”, “cuidado porque seu irmãozinho é pequeno” etc.
Em algum momento, é muito bom a mãe, inclusive, tirar uma horinha para passar com o mais velho... Isso será muito especial para ele! E tomando esses cuidados, as coisas vão se ajustando naturalmente!

Mas, será que essas mudanças na rotina e este “nível de cobrança” que acaba recaindo sobre o filho mais velho, a partir da chegada de um irmãozinho, podem ser prejudiciais ao primogênito? Ou isso o tornará mais “forte”? Quais são as consequências para ele?

A verdade é que isso ninguém sabe! Porque tudo vai depender do temperamento da criança. Ás vezes, fazemos o mesmo tipo de comentário, e uma criança reage positivamente, e a outra, não.

Temos, é claro, que nos policiar para não partimos para um excesso de cobranças, especialmente com o filho mais velho. Porque isso pode, sim, em certos casos, acabar tendo um “peso” para ele, pode torná-lo uma criança “que nunca descansa”, que está sempre preocupada etc.

Mas é importante também falarmos sobre responsabilidades e estimularmos, sim, esse cuidado com o irmãozinho. Caso contrário, pode acontecer de os irmãos crescerem sem tanto vínculo, sem aquela união que é esperada entre irmãos!

Acredito, aliás, que é importante ensinarmos os conceitos de responsabilidade não só para o filho mais velho, mas para os dois (ou mais). Não é sempre o mais velho que vai cuidar do mais novo... À medida que eles vão crescendo, é bom falarmos: “olha, um cuida do outro”.

Vai chegar, inclusive, numa idade que eles poderão sair juntos sozinhos e esses são momentos perfeitos para estimularmos o cuidado e o amor entre irmãos.

Acredito, enfim, que nós, pais, podemos amenizar esse possível “peso” que recai sobre o filho mais velho a partir do momento que respeitamos as particularidades de cada um e a fase que cada um está vivendo... Com amor, compreensão, tudo se ajeita da melhor forma, e destaco, sobretudo, a importância de irmos desenvolvendo desde sempre esse olhar cuidadoso entre irmãos.