Terapia Ocupacional e Autismo



Maria Angela Barreira* 



Para trabalharmos este tema, primeiro é relevante definirmos o que é Terapia Ocupacional: 

Terapia Ocupacional é um campo do conhecimento e de intervenção em saúde, educação e na esfera social, reunindo tecnologias orientadas para a emancipação e autonomia de pessoas que, por razões ligadas à problemática específica, físicas, sensoriais, mentais, psicológicas e/ou sociais apresentam temporariamente ou definitivamente dificuldade da inserção e participação na vida social. 

E também se faz necessário definirmos Autismo: 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou autismo refere-se a uma série de condições caracterizadas por desafios com habilidades sociais, comportamentos repetitivos, fala e comunicação não-verbal, bem como por forças e diferenças únicas. Sabemos agora que não há um autismo, mas muitos tipos, causados ​​por diferentes combinações de influências genéticas e ambientais. 

Considerando as definições acima, acredito que agora eu possa descrever a minha opinião sobre a atuação positiva de um profissional da área de forma a agregar qualidade de vida a uma criança. 

A criança geralmente chega com uma considerável defasagem e nós vamos identificando as lacunas na escala do desenvolvimento infantil. E assim devemos ir trabalhando junto a esta criança, para diminuir esta diferença. Simples assim. Através de atividades da vida diária, técnicas específicas, entre elas a Integração Sensorial que funciona muito bem com estas crianças. Orientação aos familiares para que possam adequar suas condutas em casa e também aos professores, para assim a criança ser assistida de forma plena. Com o passar do tempo esta criança consegue, aos pouco e no seu tempo, superar-se. 

É fundamental para o profissional sempre acreditar no potencial residual de cada criança, e sempre dar modelos para ela. A criança precisa aprender a brincar, precisar ter a chance de descobrir como as coisas funcionar. Precisar sentir o peso dos brinquedos, o cheiro das plantas, dos animais. Precisa ser orientada a planejar sua brincadeira, e também a desmontar tudo e guardar tudo em seu devido lugar. O brincar é a última etapa do aprendizado da criança, ela não nasce sabendo. Não é indicado dar eletrônicos para a criança, eles já têm características de comportamento repetitivo e estes equipamentos só reforçam um padrão que pode ficar patológico. 

A sequência – o famoso, começo, meio e fim – dentro de uma atividade é de fundamental importância no desenvolvimento infantil. Dentro de casa esta criança pode e deve ter funções, assim ela passa a sentir-se importante, pertencente à família e não somente um recebedor de benefícios. Lembre-se: estamos falando de crianças, entre elas criança Autista, Aspenger ou com características autisticas. Claro que em casos mais graves a criança vai precisar de medicação, acompanhamento especializado (ex: terapia comportamental cognitiva, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psiquiatra, neurologista, entre outros). Mas uma grande maioria consegue ser assistida com orientações familiares e escolas regulares. 

Com o próprio crescimento e a mudança do meio ambiente (família e escola) a criança também se modifica, e com isso os padrões de comportamento do autismo podem perder força e entram os padrões considerados comuns na sociedade. E assim se processa a reabilitação da criança. Com ganhos de autonomia e independência, que é a base da Terapia Ocupacional!




* Maria Angela Barreira é Terapeuta Ocupacional (Crefito : 3/776-TO)