Polvos de crochê para prematuros integram projeto da Santa Casa de Piracicaba



Muitas vezes, bem próximo a nós, estão em andamento projetos com um propósito tão bonito e tão útil para determinado grupo, mas quenós nem ficamos sabendo da existência... Talvez por eles não fazerem parte da nossa realidade naquele momento.

Falar um pouco sobre esses projetos nobres é uma das missões do Blog Mundo Mãe e, por isso, colocamos em pauta hoje uma ação linda que acontece dentro da UTI da Santa Casa de Piracicaba.

Talvez você já tenha lido algo sobre polvos de crochê que são dados a bebês prematuros, com o propósito de passar a eles mais conforto e sensação de segurança. Fotos da ação feita em vários lugares do mundo têm circulado pelas redes sociais... Mas, você sabia que este projeto existe também aqui em Piracicaba?!

Maiby Marocco Parazzi, enfermeira coordenadora da UTI Neonatal e UTI Pediátrica da Santa Casa de Piracicaba, conta que começou a ler na internet sobre os benefícios dos polvos de crochê para os bebês prematuros e isso a incentivou a trazer o projeto para o seu local de trabalho.

A ideia dos polvos surgiu na Dinamarca, em 2013, com a proposta de fazer os bebês se lembrarem de quando ainda estavam na barriga da mãe e ficarem, assim, mais tranquilos. Isso porque, o contato com os tentáculos do polvo simularia o contato do bebê com o cordão umbilical intraútero.

Porém, não existe nada científico que comprove este efeito e o Ministério da Saúde já emitiu, inclusive, uma nota declarando isso e estimulando somente o “método canguru” neste sentido.

Mas, diante de tantos relatos interessantes e com a possibilidade de “dar certo”, Maiby, contando com o apoio da equipe do hospital, acreditou que valeria a penta tentar! “Acredito que o polvo, na verdade, incentive o ambiente lúdico na UTI – que, naturalmente, acaba se tornando um ‘ambiente frio’. Embora não exista nenhuma comprovação de que os tentáculos do polvo remetam ao cordão umbilical, resolvemos tentar, afinal, numa UTI, tentamos fazer de tudo para remeter o bebê ao meio intraútero”, conta a enfermeira.

Como?! “A incubadora é um ambiente aquecido (assim como o intraútero) e o bebê fica ali envolto com rolos, tecidos etc. E o polvo vem então para somar neste contexto”, explica a enfermeira.

Os polvos de crochê na Santa Casa de Piracicaba


Maiby explica que, para iniciar o projeto na Santa Casa, a equipe do hospital foi adaptando a ideia do polvo de crochê, para que ele se tornasse um objeto seguro para os bebês. “Ele é feito com uma espuma siliconada, o fio é 100% algodão e os pontos são bem juntinhos, para não correr o risco de a criança colocar o dedo, por exemplo”, comenta.

“Além disso, tivemos aqui na Santa Casa, a preocupação em não deixar que o interior do polvo ficasse úmido... Então isolamos o interno dele com saquinho, possibilitando a higienização e garantindo a limpeza externa e interna; então, a gente tira esta parte para fazer a higienização e depois volta no polvo... Assim não corre o risco de o objeto ficar úmido e contribuir para a proliferação de bactérias etc.”, explica a enfermeira.

Um ponto importantíssimo é que os polvos de crochê são frutos de doações. “Quando falamos que queríamos instalar este projeto aqui, muitas pessoas nos procuraram para ajudar... A loja Tear, por exemplo, é uma grande parceira nossa, além das crocheteiras Dona Iolanda, a Fátima e a filha dela e a Dona Dionete. Nós orientamos quanto ao modelo – explicamos, por exemplo, os porquês dos tentáculos etc. – e elas nos atendem, fazendo as doações. Dessa maneira, tudo é feito com conhecimento e muito carinho... Portanto, em cada alta de um bebê, tem muito também dessas mulheres que contribuem com nosso projeto! A cada dois ou três meses, ou quando o estoque fica apenas com 5, nós as contatamos e elas prontamente nos atendem, trazendo para cá cerca de 10 a 15 polvos”, conta Maiby.


Os resultados



Mas, o que os profissionais têm observado com este projeto instalado dentro da Santa Casa?!

“Os bebês ficam muito mais tranquilos. Porque, todos os procedimentos necessários para a preservação da vida do bebê exigem manipulações pela equipe. Então, os polvos auxiliam na proposta de tentar diminuir esse estresse. Não existe nada que comprove?! Mas, pode ser que ajude? Então vamos tentar!”, explica Maiby.

Porém, nada adiantaria se não houvesse uma assistência adequada. “Dentro de ambiente de UTI, temos que tomar muito cuidado com o risco de infecção, por exemplo... Então norteamos o projeto neste sentido”, acrescenta a enfermeira.

O projeto foi instituído na Santa Casa de Piracicaba há cerca de oito meses. “Nesse período, observamos que o polvo realmente ajuda a acalmar os bebês. A média de permanência na UTI é de 2 a 3 meses, tempo desejável para que eles se desenvolvam... O que é uma grande alegria e uma vitória do bebê, da família e de todos nós”, relata Maiby.

Cuidados com os polvos de crochê 



Maiby explica que os polvos são lavados e esterilizados uma vez por semana ou, antes disso, quando têm sujidade. “Quando um polvo é entregue para determinado bebê, ele ganha o nome daquele bebê. E daí quando ele tem alta, leva o polvo para casa”, diz.

“Para que a criança nunca fique sem o polvo, ela ganha dois... Então, enquanto um está sendo lavado, a criança tem o outro. Quando ela tem alta, leva um para casa e o segundo é lavado, esterilizado e entregue para outra criança maiorzinha, como uma lembrança da Santa Casa”, conta Maiby.

Dessa forma, o polvo é utilizado nas duas UTI’s da Santa Casa de Piracicaba. “Na neonatal, para diminuir o estresse e, na pediátrica, como um brinquedo, um método lúdico”, acrescenta a enfermeira.

Os polvos dentro de um projeto mais amplo 



Maiby explica que os polvos, na verdade, fazem parte de um projeto maior, com o objetivo de tornar o ambiente de UTI mais humanizado, de acolher melhor as crianças e seus pais que estão ali passando por momentos difíceis.

“Dentro do projeto Filhos Valentes, com uma equipe multiprofissional, fazemos vários atos humanizados dentro da UTI. Temos, por exemplo, contato direto com os pais, acolhendo-os de forma sentimental, ouvindo sugestões etc. Isso tudo porque sabemos que os bebês passam meses aqui e, assim, o ambiente acaba se tornando uma ‘segunda casa’ dessas famílias”, comenta Maiby.

A enfermeira conclui que os polvos de crochê para prematuros vieram para acrescentar neste projeto de assistência especial aos bebês e seus pais. “É uma coisa maravilhosa, gratificante, fornece uma alegria muito grande... E, quando temos conquistas, temos mais que festejar... E fazemos isso, por exemplo, quando uma criança tem alta”, finaliza Maiby.

Iniciativas como este merecem todo o reconhecimento. Deixamos aqui nossos agradecimentos e nossa admiração por toda a equipe da Santa Casa de Piracicaba e também por todos os parceiros que contribuem grandemente com este projeto fazendo e doando os polvos de crochê!