Mesada ou Semanada: como podemos ensinar nossos filhos a lidar com o dinheiro?



Não é de hoje que este tema traz dúvidas. Afinal, a partir de que momento podemos dar algum dinheiro aos nossos filhos? E quais são as melhores maneiras para realizar esta tarefa de modo responsável?

Posso falar que esse assunto não é simples com um exemplo aqui em casa: a Luisa, minha filha, ganhava semanada da avó por estar na segunda série e não tínhamos “estipulado nenhum propósito” com esse dinheiro. Então, ela aproveitava a grana e gastava tudo em guloseimas na cantina da escola...

Quando percebemos isso, para evitarmos que tudo fosse gasto em besteiras, trocamos por mesada. Agora, como o dinheiro não é semanal, ela dá mais valor a ele, deixando para comprar coisas que realmente importam para ela.

Se estou totalmente certa com esta atitude?! Não sei, mas, pelo menos aqui em casa tem surtido bom efeito! Mas, reforço, não sou especialista e por isso venho compartilhar minhas ideias e dicas com vocês de maneira despretensiosa, “de mãe para mãe”.

Que mensagem podemos passar ao dar dinheiro aos nossos filhos?

Acredito que a primeira pergunta que a gente deva fazer quando decidimos dar uma mesada ou semanada à criança seja: ‘será que ela dará o devido valor ao dinheiro?’, ‘será que ela conseguirá reconhecer que para ganhar temos que fazer algum esforço?’.

Acredito que a mesada (ou semanada) possa ser iniciada na vida da criança para que ela aprenda a lidar com seus desejos e com suas vontades. Que ela consiga adiar a compra, vivendo a espera, vivendo o esforço de juntar o dinheiro para, posteriormente, comprar o que deseja.

Sabemos que a espera torna possível alcançar maiores objetivos, e acho que é exatamente essa a mensagem que temos que passar aos nossos filhos a partir das contribuições (semanais ou mensais).

Não receber “simplesmente por ter realizado alguma tarefa”


Transmitir aos nossos filhos a mensagem de que “é preciso se esforçar para guardar dinheiro e, posteriormente, comprar algo que se queira” nos afasta também daquela ideia de que “nossos filhos precisam realizar alguma tarefa para receber”.

Pois, na verdade, a ajuda em casa não deve ser associada com mesadas ou semanadas. Ainda que respeitando a limitação de cada criança, as tarefas já devem ser inseridas como parte do dia a dia da família. A criança pode, por exemplo, guardar os brinquedos, colocar o prato na pia, pendurar a toalha, arrumar a cama, lavar a louça... Em cada fase é possível incluir alguns afazeres para a criança... E isso independe de mesada/semana.

Acredito, hoje, que essa inclusão de tarefas não deva estar ligada a nenhuma recompensa (e, sim, consequências). Podemos mostrar “que é mais gostoso se a casa tiver arrumada, que depois podemos assistir um filme ou fazer um passeio juntos”... Enfim, ensinar que as arrumações são parte deste convívio harmonizado da família. Caso contrário, a criança pode começar a fazer as coisas só quando tem alguma recompensa financeira.

A partir de que idade começar com a mesada?


Acredito que, assim que a criança começa a lidar com os números e contas na escola, pode ser inserida a semanada ou mesada. Isso auxiliará a relação da criança com os números.

E a semanada, por exemplo, não precisa ser de grandes quantias. A ideia é que a criança comece a praticar o exercício de guardar... Então dois, três, no máximo cinco reais por semana é o suficiente para essa primeira aproximação com o dinheiro.

No meu caso, como disse, tivemos uma experiência melhor dando a mesada (em vez de semanada) à Luisa... Mas, cada caso deve ser avaliado individualmente, porque nenhuma criança é igual a outra.

Para as crianças maiorzinhas, que já demonstram melhor que querem juntar dinheiro, podemos incentivar, vez ou outra, a realização de algumas atividades relacionadas a “vender e receber”. Por exemplo, a produção de biscoitos, pulseirinhas... Algo que coloque energia não só no “guardar dinheiro”, mas também no “produzir”, vender e receber.

Dentro da brincadeira, a criança tem essa vivência de gerar um retorno financeiro. Mas ela também não deixa de colaborar com as tarefas da família, que nada têm a ver com a experiência financeira.

Claro que tudo isso deve ser feito de “forma leve”, sem grandes “cobranças”, respeitando a fase de cada criança.